sábado, 7 de fevereiro de 2009

Headbangers

Quando as luzes ofuscantes diminuíram seu piscar alucinado e os olhos se acostumaram mais ao estonteante flamejar de cores e brilhos, é possível distinguir os vultos no palco. Imóveis como manequins de cera. Enegrecidos pela sombra calculada.
Os gritos alucinados vão escasseando, rareando, diminuindo até o sussurro, até o silêncio. A expectativa por um movimento qualquer. Quietos, atentos, olhos que não piscavam, mãos apertadas. Dezenas, centenas de corpos inertes e corações acelerados aguardam.
Segundos intermináveis separam o silêncio do primeiro acorde agudo da guitarra. E não leva sequer outro segundo para que as cabeças de cabelos longos coreografem uma batida marcada e contagiante diante do palco. Uma dança de cabeças e cabelos embalada pela distorção das guitarras. Um mar de movimentos ondulantes que acompanhava precisamente a violenta cadência da bateria.
Começava o show!

A chuva

A chuva não dava trégua. O tamborilar dos pingos fortes acompanhava o vento gelado e úmido. Nem parecia verão. Não parecia, mas era. Verão de pleno janeiro. Onde estava o sol? O calor fugira da chuva pra não se molhar! Pela janela, olhinhos tristes observavam uma poça que se enchia cada vez mais na calçada. Na vidraça fechada, cresciam e sumiam cadenciadas duas manchas brancas de vapor. Nariz encostado no vidro frio, nem percebendo que respirava. Onde estava o azul do céu? O feio cinzento das nuvens baixas refletindo o humor de quem espiava aquele repentino inverno. Não importava se duraria apenas uma tarde, aquela chuva deprimia. Não devia fazer frio no verão. A bola encostada na parece parecia não se importar, mas os pés reclamavam não correr ao ar livre. Como era possível aquele dia tão terrível? E na vidraça fechada, a mancha branca cresceu num suspiro, enquanto os olhinhos tristes e lacrimosos esperavam a chuva passar.