sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Por Uma Noite


Às vezes, tudo que falta é um corpo quente pra abraçar. Às vezes, tudo que falta é um aconchego. Feminismo, machismo, revanchismo, ismos demais. É quando a gente se vê só numa cama imensa e nem quer sexo, quer abraço!

É! Abraço. Tem momentos em que um par de braços e o calor da pele batem todos os recordes de audiência. É tudo que se quer ver, se quer ter, só naquele instante. Só por uma noite, não ter de dormir sozinho. Quem me entende?

Essa de famílias modernas, mães full time, gente avulsa... É legal, admito. Mas, chega aquela hora em que essa gente avulsa só quer ser conjugada, dupla, acoplada. Entende? Liberdade rima com solidão. Às vezes rima, sim. Vai lá ver!

Nada contra essa nova ordem mundial que fez de mim o esteio da família, que fez de mim a âncora e o arado, a força, o paradigma social. Nada contra mesmo. Gosto de ser forte, dona do meu nariz, do meu caminho, do meu ninho. Mas... e sempre tem um “mas”...

Também sinto falta de ser a diva, a camélia, a esposa, a namorada, a amada, a mulher. Ser eu mesma, ser só eu. Despir todas as armaduras, os uniformes. Ficar nua de tudo, de todos, do mundo.

E é nessa hora que sinto falta do par de braços ao redor de mim. Não, ninguém em particular. Só braços que queiram me abraçar e nos quais eu possa deixar de ser tão forte assim. Só por uma noite. Você entende?

domingo, 9 de outubro de 2011

A sombra

...e você volta com essa falta de constância. Com essa displicência tão sua. Com essa distância tão íntima. Tão próxima. E eu, tão séria, tão dona de mim mesma, já não sei mais o que fazer...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Essa tal Inspiração


De onde vem, ninguém disse. Por onde se esconde, só eu consigo saber. Está sempre comigo, como uma doença crônica. Mas, me deixa solta ao vento quando menos espero. É um café, um passeio, um cinema. E esquece de mim feito peça de quebra-cabeça que não se importa em montar.

Só volta quando a diversão acaba, suja e cansada, essa inspiração. Mas esquece que não pode me abandonar nunca. Que está presa a mim, mesmo quando não está aqui.

O Óbvio


Sinto a respiração acompanhar o pensamento. Ofegos trôpegos, nada além. Sinto também a pele se eriçando diante do devaneio. Mente comandando corpo, nada além. Estou pensando em você. Isso é óbvio.

Seu cheiro invade minhas narinas dilatadas. Seu gosto faz parte da minha saliva. Pouca diferença faz se você está do outro lado do mundo, ou da cidade. Eu sinto você aqui... em mim. E isso também é óbvio.

Tenho necessidade do corpo que é seu. Tenho necessidade do orgasmo. Lembro de você. Sinto saudade. A precipitação do prazer já é intensa, já é prazer. Saudade de você. Isso talvez seja óbvio.

Antecipo, agora, os afagos de amanhã. Desejo, não nego. Desejo possuir esse seu ego. Desejo ceder a essa sua vontade. Toda a testosterona derramada. Todo o gozo, todo o zelo. Todo esse cuidado que você tem comigo. Só comigo. Isso tudo é óbvio?

Não sei se amo você, não sei se preciso de você. Sei que preciso dessa sensação de ser única que você me dá. Porque, naquele momento em que estou entregue as suas mãos cuidadosas, eu sou única. E isso é raro! É só meu! E não é nada óbvio.