sábado, 5 de novembro de 2011

Reflexão Sobre a Tristeza


Tenho de desvendar os mistérios das mentes do mundo. Saber por que as pessoas ficam tristes. Entender qual é essa conjunção cósmica da melancolia. Essa epidemia crônica de depressões. O orbe inteiro se deixou levar pela tristeza? Parece... Perecem...

Os mortais ao meu redor caem como moscas sob a mácula do amargo. Bebem do veneno silencioso e se deixam abater. Tombam aos milhares. Pesados... Pesarosos...

De onde vem toda essa angústia, esses dissabores prostrantes? Frustrantes. Qual a cura para essa peste que assola até aos mais libertos, os libertários, os libertinos? Qual alívio para tal marasmo amorfo? Mudo... Mofado...

E o cheiro dessa morte em vida invade narinas, impregna a pele. É contagioso esse esmorecimento. Faz dolorido o que deveria ser cor. Faz angústia o que deveria ser brilho. Faz calar as vozes que deviam ressoar aos quatro ventos. E que, agora, estão assim, inertes. Minúsculas... Dimerizadas...

Revelar esse enigma, descortinar seu ensejo, talvez não seja essa a minha tarefa. Meu plano, minha rota. Talvez, eu precise apenas saber que nem todo sol aquece, que nem toda lágrima salva. Talvez, meu intento primordial seja só estar por perto quando você, meu amado amigo, precisar de um abraço.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Os Vermes

Quem são vocês que me temem tão vorazmente? Quem são vocês que me espreitam? Sou tão importante assim que preciso de olhos alheios a seguir meus passos? Sou tão intocável que é preciso que me castrem? Tentem, é um desafio!

Quem são vocês, seres sem nome nem alma, que vivem a vida de migalhas dos mais alheios? Quem são vocês que fazem de mim um ícone? Quem são vocês que me perseguem velados, com medo que eu os perceba. Ignóbeis. Percebíveis! 

Quem são vocês que acham que podem me assustar? Quem são, tão especiais, que pensam que sua presença me afeta? Quem são, pobres coitados, tementes, atormentados, que não conseguem ver de mim quem sou, mas apenas a ameaça que devo ser. Minhas víceras os amedrontam!

Ameaça, sim, as suas vidas sóbrias, regradas e discretas. Vidas sem vida, sem uso, sem dom. Vocês são apenas parasitas, a sugar a seiva dos que vivem verdadeiramente. E eu vivo, eu sou, eu estou! Existo! Isso os ameaça? Pena!

Sou o que vocês todos, vermes, jamais ousarão ser. Sou absoluta, sou plena. Sou sangue, sou gozo. Sou ânsia, sou meta. Sou conquista. Sou livre!

Eu Tenho...


Eu tenho um amor. Um amor que é de outro, que é de outros, que é de todos. Menos meu. Eu tenho um amor distante, que mal me ama, que me ama mal. Que ama – sim, ele ama –, mas não a mim. Sabe amar, mas não sabe dar esse amor. Sabe sorrir, mas com tristeza. Sabe sonhar, mas apenas seus pesadelos.

Ainda assim, é o meu amor. Meu amor apartado, afastado, arredio. Meu amor instável, explosivo, vazio, inábil. Meu amor de todos. Ainda assim, só meu.

Eu tenho esse amor impossível, que vive no peito e na mente mais do que na carne. Que vive pelos olhos castanhos tão tristes. Que vive estraçalhando alma – minha alma. E que vive no desejo de, um dia, só por um dia, realmente ter.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Permita-me


Não fuja da raia quando eu digo abertamente o quanto você é bonito. Não se julgue, não me julgue. Essa é apenas a forma explícita de dizer que eu acho você bonito. Muito. Só isso. Redundante, eu sei.

Não é uma ofensa, não é uma insinuação, não é uma cantada. É simplesmente minha noção de estética dizendo aos quatro ventos “você é um homem muito bonito”. Eu acho, pronto!

Portanto, não se apavore, não desligue o celular na minha cara. Não vou querer de você mais do que sua ternura (e essa você me dá todos os dias). Não tenha medo de mim, meu amor, só porque acho você bonito. O meu respeito por você, minha afeição por você, vão muito além dessa estética. Você é minha medida, minha diplomacia, meu alicerce. Essa sua beleza natural é apenas um bônus, um brinde. Você é muito mais que uma carinha bonita, você sabe.

Só me permita (também) achar você bonito. Porque seria impossível não achar.

Jeito Estúpido


Sim, isso é um pedido formal de desculpas.

Em idos tempos de mil novecentos e guaraná de rolha, um cara chamado Gonzaguinha escreveu uma música sobre a estupidez. Não essa comum, de gente que não sabe do mínimo o indispensável. Mas aquela que fala do jeito de tratar o alheio, quem se gosta. E esse jeito estúpido de ser é o meu jeito tão estúpido de ser e de dizer...

O mais engraçado (?!) é que sempre fui assim. Isso nunca me doeu antes (apesar de reclamações mil). Sou estúpida, sou grosseira. Essa sou eu e fique por perto só quem souber suportar. Convivi com homens rudes e aprendi a me comunicar com homens rudes. Sim, sou rude por natureza. Acredito que os mais atentos já tenham percebido que me expresso como um homem, e estúpido, vulgar, grosseiro! Coisa minha, meu eu.

Engraçado que isso nunca me incomodou (repito). Nunca, com ninguém... até hoje. Hoje, fui rude com alguém que é só delicadeza. Alguém que é só requinte, zelo, amabilidade. E vi o quanto consigo ser áspera. Não é intencional, é natural. I’m so sorry! Sério, me desculpe, não foi minha intenção ser tão eu mesma com você. Perdoe, por favor.

Não prometo não fazer de novo. Afinal, esse é o meu mais puro mim-eu-mesma (como diria Moa Sipirano). Um dia você se acostuma. Prometo, entretanto, melhorar meu disfarce de fêmea meiga e cordial (Sim, preciso melhorar muito isso!).

Mas, seu eu repetir alguma dessas agressões desmedidas, releve. Não é pessoal, não é proposital. Apenas eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser e de dizer coisas que podem magoar... mas é assim que eu sei te amar.