sexta-feira, 22 de junho de 2012

Amigos Virtuais


O mais incrível do facebook, e dos outros sites de relacionamento em geral, é que quando você realmente precisa de auxílio, de um ombro amigo, ou simplesmente de um ouvido, todo mundo some, ta fazendo ou postando outras coisas, e te ignora sumariamente.

Bem bacana isso. Afinal, é um site de “relacionamentos”. Os bons e os ruins. E relacionamentos, no meu dicionário, são recíprocos. Se você ouve e afaga e ta ali pra quando seu amigo precisa, é notório que seu amigo também esteja à disposição quando você pede ajuda. Ou será que não?

Eu digo: Não é! Quanto mais você se empenha em prestar atenção e dar ombro e cafuné pra quem quer que seja no mundo virtual, mais sozinho estará quando você realmente precisa de um amigo – um ombro amigo, um ouvido, qualquer amparo.

Sites de relacionamento são o cúmulo do egoísmo. Seja um dos primeiros a chorar e ganhe colo e curtidas. Seja um dos primeiros a ajudar e fique na mão! Se você correr, consegue seu lugar ao sol, com dezenas afagando seu ego. Se você se atrasa, ou para pra atender alguém, aí já era. Vai ficar pro “Vou sair. Depois falamos!”

Amigos virtuais são aqueles que querem que você os ajude. Nunca estão disponíveis quando você pede socorro. Aliás, estão online, mas estão teclando com outra pessoa: “espere um segundo, já falo com você!”
To mentindo? Quem nunca passou por essa seletiva e perdeu, que atire o primeiro post!

(Os que sabem, por favor, excluam-se da generalização!)

O Instante


Rápida é a onda de calor que chega sem aviso, como vento solar: linda, cálida e mortal. Rápida é a sensação de plenitude, daquelas maravilhas da natureza que fazem prender a respiração na antecipação do orgasmo. Rápida é a faísca que ilumina o dia e cobre de cores a mais tétrica sombra. Rápida e destruidora.

Segundo imperceptível, é o necessário. Nada mais do que o pequeno instante da perfeição. E a mente embota, o coração emudece, a alma brilha. Mas, é tudo só por um segundo.

Rápido, o mundo torna a seu preto e branco típico, morno, amorfo. Rápido como relâmpago que some dentro da nuvem. E volta a chover. Nada de calor, de plenitude, de faísca. Rápido demais.

Século interminável aquele retumbar guardado no peito. E tudo passa no segundo desastroso, no instante que já se acabou. Resta a mente a censurar, o coração que sangra, a alma a recolher os cacos do espelho estilhaçado.

Resta doer-se, restam as lágrimas. Resta curvar os ombros e baixar o ego. Resta bastar-se, pois o instante passou.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Sexo...


Na penumbra, bebo de teus olhos a impaciência contida. De teu beijo, a saliva morna que me diz tuas vontades. Absorvo a pressão de teus lábios em meu seio, fazendo aquela cócega espalhar-se. Esquentando as entranhas, como Frangélico faz incendiar a boca ao primeiro gole. 

E tuas mãos a periciar cada dobra de minha pele. Acariciando meu ventre, apertando minhas ancas, escorrendo por minhas coxas. E teus dedos se lambuzando na cavidade úmida entre minhas pernas. Deixo escapar um ronronado, um gemido. Não é dor, é lascívia. 

Eis que, de repente, tu cresces diante de meus olhos. Vejo-te avolumar, tal qual gigante pesando sobre mim. O subir e descer do peito me faz adivinhar a urgência de teu desejo. E me deixo tomar em teu abraço, enquanto tua língua busca a minha. E me penetras, poderoso. Posso sentir cada um de teus músculos tensos, teus pêlos eriçados, tua respiração arfante. E mais que tudo isso, teus olhos sobre mim, buscando reações, alimentando-te de meu prazer.

Cavalga-me, arrebata-me no movimento brusco, meigo, egoísta. Tua face em minha face deixando que eu te ouça urrar. Fera abatida, macho predador. Minha presa. Pura fração da eternidade até que teu gozo se mistura ao meu. 

E então, o deleite, o suor misturado, o cheiro de nossos corpos em brasa. Chama que arrefece. Tua cabeça em meu peito, teu coração descompassado. A fera que se rende por meus caprichos mais vis. Resta-me teu olhar, tua boca. E a certeza de que, logo, serás novamente meu.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Fobia


Sim! Tenho medo de cachorro. Mas, não é um medo assim, normal. É algo mais. É algo tipo um poodle latir duas quadras distante de onde estou e eu pular... e olha que poodle nem é cachorro!) É eu suar e ter taquicardia se um cão passa na rua – mesmo que eu esteja dentro do pátio, com metros de muro pela frente!

Sim, sou fóbica. Tenho medo demais de coisas que não são pra ter tanto medo. Tenho falta de ar, acelera o coração, suo, fico tonta, joelhos tremem... Já atravessei ruas e troquei de quarteirões só porque um cachorro estava languidamente deitado no caminho.

Mas, de alguns tempos pra cá, tenho tido medos além dos cães. Tenho tido medos mais. Tenho medo de morrer... Certo. Minha mãe morreu cedo, de repente. Assim que me tornei mãe, passei a ter horror à ideia de morte. Tem lógica, mas não tem sentido.

Uma coisa que a gente não sabe é o momento da nossa morte. Nem o vidente mais hábil saberá o exato instante de deixar de existir por aqui. Concordam?

Mas eu tenho. Medo. Medo de morrer. De morrer jovem. De deixar coisas inacabadas precisando de mim. É uma fobia, ou é o realismo da vida cobrando sua parcela de sadismo? Não sei como curar, embora entenda o ridículo da situação.

Normalmente, na hora de dormir, quieta na cama, penso em não acordar... Tenho verdadeiro pânico de imaginar o caos que se seguiria sem mim. Minha filha, minha arte... tudo órfão de mim. Louca? Por vezes, acho que sim.

Só sei de uma coisa: eu não vou morrer hoje!