sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Caminho

Raramente posto qualquer coisa que não seja minha aqui no blog. Mas essa merece! Quem tiver coragem, que veja e leia até o fim. Aos que não se sentirem incomodados, meus lamentos.

By Martin Flores

sábado, 18 de maio de 2013

Um Segredo



Posso contar-te um segredo? Estás preparado pra ouvir? Esse segredo é só meu, é meu tesouro. Queres saber? Tens certeza? Serás digno de desvendar tal tão velado mistério? Sim, acho que és! Digno e forte para aplacar no peito tamanha descoberta.

Queres saber meu segredo? Queres mesmo que te conte? Pois irei contar-te com todas as letras, todas as sílabas. E então, saberás mais do que eu mesma sei. Pois esse tal segredo é mais do que a minha vontade. É fato consumado, é real!

Estás curioso? Pois, muito bem! Meu segredo está prestes a ser revelado. Só a ti, a mais ninguém. Por quê? Porque quero, faço questão, de dividir contigo cada moeda desse meu baú de piratas. Quero que faças parte desse meu devaneio, desse sonho.

Posso contar-te meu segredo? O meu segredo é... Que te amo!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cativa



Te quero de volta... É sério. Te quero de novo. Verdade!!! Te quero hoje mais que ontem, mais que antes... Basta que voltes a fixar-te diante de meus olhos parvos para que te queira novamente. Triste destino esse dos apaixonados. Quando achamos que estamos libertos, mas escravizados nos tornamos...

Cela fria de barras grossas é esse teu coração. Me prendeu para um sem par de penas, penitências... Sou cativa serena desse teu querer tão ausente. Sou prisioneira do teu olhar, de tua vontade. Sou detenta desse sentimento que não me deixas exorcizar... Sabes que é a verdade!

Cada vez que me afasto, voltas... cada vez que te renego, tu me sorris... e esse teu sorriso, menino, é tão cativante, tão agonizante, tão encarcerador... O cárcere de minh’alma é esse teu olhar, esse teu sorriso. Esse falar manso que tens ao meu ouvido... E sou tua cativa novamente...

Sempre serei tua. E sabes disso, te regozijas desse aprisionamento. Ai de mim, propriedade tua... Tu que não me queres. Que só me manténs na gaiola tal qual pássaro canoro, a gorjear ao teu mero comando. Mas é assim que me dou, anjo mau. É assim que me tens. Agrilhoada por teu amor.

Se me libertares, não sei para onde voarei. Nem mesmo sei se alçarei voo, pois que é de tua atenção que me alimento. Será que saberei voar sozinha? Será que saberei desbravar outros céus, outros seres, outros amores? Não, mil vezes não! Porque sou também a carcereira dessa gaiola de ouro. Porque meu amor por ti não me prende, só me dá motivos para ficar!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Por Que um Homem Vale a Pena?



O que faz um homem valer a pena? Sim, é uma pergunta séria. E as respostas culturais óbvias são: posição social, bom emprego, nível cultural e alguns obsoletos como carro, apartamento, etc. Ora, mas e se eu já tiver tudo isso sozinha? E se o bom emprego, a grana e o carro já forem meus... o que mais faz um homem “valer a pena”?

A dúvida surgiu de uma conversa com um amigo conservador e defensor dos bons costumes. Um daqueles que acha que homem abre a porta e paga a conta (ele vai me matar por ter dito isso, mas é a verdade). E prefiro responder desse jeito.

Quando eu já tenho tudo que quero, não quero de um homem o que ele pode me dar, me facilitar, me presentear. Quero aquilo que é mais simples, quero a companhia dele, quero proximidade. Quero dele o que não tenho em mim. Quero o conforto da curva do braço, quero o cheiro da pele, quero mãos dadas...

Se tenho tudo, é sinal de que esse homem não tem a obrigação de me completar. Se eu me basto, quero dele o carinho, a cumplicidade, o aconchego, o sorriso. E se esse homem me causa frios na barriga, arrepios e palpitações, ele vale a pena. Se esse homem me olha ao mesmo tempo com fome e com ternura, ele vale a pena.

Um homem não é só corpo. E se você também não for apenas um corpo pra ele, ele vale a pena. Se, na cama, ele for mais que sexo, ele vale a pena. Se, depois da cama, esse homem ainda olhar pra você do mesmo jeito que antes, ele com certeza vale a pena.

Não interessa se há desnível cultural, social ou o que for. Se ele pode me ensinar o que eu não sei e estiver disposto a aprender comigo, ele vale a pena. Se dividimos juntos um jantar ou se cozinhamos juntos, ele vale a pena. Se há um abraço preguiçoso ao acordar e um beijo de bom dia dado espontaneamente, ele vale a pena.

Se me vejo nos olhos dele, ele vale a pena. Se meu coração toca o coração dele e vice-versa, ele vale a pena. Não interessa quem é mais inteligente ou bem sucedido. Interessa que ele queira andar comigo na mesma direção. E se ele me quiser ao lado dele, ele vale a pena. O que ele viveu, os erros que cometeu, toda a bagagem (por vezes dolorida) só acrescenta a mim conhecimento. E conhecimento sempre vale a pena.

Um homem vale a pena quando te sorri com o olhar, quando te abraça sem te tocar, quando compartilha de um pensamento em silêncio. Um homem vale a pena quando te esquenta no frio, quando divide sonhos ou objetivos. Mesmo que as metas dele não sejam as suas, se ele quiser você por perto nessa busca, ele vale a pena. Por que ele vai ficar feliz pelas suas conquistas também.

Um homem que não tem ciúmes da sua arte vale a pena. Um homem que te dá a mão num momento difícil vale a pena. Um homem que quer estar com você, mas respeita o seu espaço, esse vale a pena. Se esse homem existe? Sim, ele existe. É real, é só sabermos despi-lo daquilo que não é importante e descobrir se o que ficou faz você olhar pra ele e pensar: Sim, ele vale a pena!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Tempo Inverso



Abrir os olhos de manhã e querer voltar a dormir não é inverter o tempo, é desperdiçá-lo. Repensar a decisão ou desdizer a promessa não é voltar no tempo, é reeditá-lo. Sonhar com o que não é mais seu não é voltar no tempo. É só saudade.

Inversão de tempo é andar pra trás, é sair do banho suado, é ficar com fome depois do almoço, é beijar e perder o gosto. Inverter o tempo é deixar o tempo passar por você. É fechar a mente em vez de criar metas. É estagnar. E estagnação é perda de tempo!

Se você deixou algo perdido no tempo, volte e pegue. Se é seu, busque. Se você quer, alcance. Se não é seu, conquiste. Se não puder, roube. O importante é fazer, é agir. Se você ficar parado, já era. Vira pedra. Estátua de sal. E sal, quando chove, dissolve.

Não diga que já foi. Não diga que perdeu. Não diga que não dá mais tempo. Porque o tempo é tudo o que você tem. Corra, chegue antes, suje as mãos. Vale a pena!!! Só não sofra por aquilo que não foi tentado. Não deixe o tempo pegar você de surpresa. Pois ele passa voando...

sábado, 11 de maio de 2013

Longínqua Ilha do Caos



Sou como a praia branca imaculada que antecede o ancoradouro solitário. Sou a espuma da onda límpida que beija a areia no vai-vem cadenciado do mar azul. Sou a gaivota planante a esperar o peixe desavisado. Sou o raio de sol que esquenta a pedra e o vento balouçando a folha da palmeira.

Sou essa ilha encantadora e deserta, enraizada em meio ao oceano vasto e intransponível. Sou a luz do farol orgulhoso, que ousa medir forças com a lua na escuridão pontilhada de estrelas. Sou cada concha esquecida, sou cada grão de sal.

Vez em quando, um barco desavisado ruma para minhas praias, atraído pela beleza intocada, pela paz convidativa, pela sensualidade de minhas trilhas. Vejo as velas embaladas pela brisa e as ondas que lambem o casco audacioso que se aproxima.

Todavia, ao aportar, esse barco encontra em mim algo que o faz partir tão rápido quanto chegou. Algum quê de caos nesse microuniverso cadenciado. Porque a ilha é ela e somente ela. Não há espaço para quem vem de fora. Tudo está em seu lugar, arrumado e preciso. E o viajante mal põe os pés na areia para perceber que não tem lugar por ali.

E parte. O barco vira as velas e desaparece lentamente na linha constante do horizonte. E sei, mais uma vez, que sou eterna e eternamente sozinha. Uma ilha bela e brilhante, incapaz de suportar ou suprir outra vida. A terra do caos em sua ordem caótica, íntegra e completa. Não há lugar para náufragos em mim.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Insônia



O corpo chora pelas horas ininterruptas de descanso inanimado. Mas a mente condoída manda o alerta aos gritos: ACORDE! E desperto num sobressalto para ouvir o quase silêncio da madrugada amorfa. Mais uma madrugada em que assisto o sono fugir a galope para algum lugar de onde não posso resgatá-lo.

Os sonhos interrompidos quase sempre escapam do invólucro nevoado do subconsciente e se misturam aos pensamentos desconexos que se batem como carrinhos desgovernados. A confusão do despertar ausente é a sensação pior. Situar-se apenas para perceber que eu deveria estar dormindo.

Nada ajuda. Resta aguentar firme até que os olhos pesem. Assistir mais um amanhecer pela janela. E finalmente encontrar Morpheus somente para desejar-lhe bom dia e acordar outra vez. Cansada, torpe, sobreviver mais um dia até a noite e, desta vez, torcer para simplesmente adormecer até de manhã.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Abracadabra



Qual das magias é aquela que trará o amor perfeito ao coração? Qual espelho, espelho meu é o encantado? Qual maçã estará envenenada? Como saber qual daqueles é o príncipe? Ou qual é o sapo?

Contos de fadas são peças meigas no quebra-cabeça da imaginação infantil. Quando passam, quase despercebidos, para a era adulta, aí são um problema. E não somos poucas – princesas modernas – as que esperamos por lindos cavalos brancos e armaduras brilhantes.

Passam os anos e somos rainhas, somos madrastas. Na verdade crua, nada mais somos que mortais desencantadas, despenteadas, desgrenhadas mães correndo atrás das crias. Meras borralheiras de forno, fogão e escritório. Sereias de máquina de lavar, Cinderelas ensandecidas.

E o príncipe? O príncipe está no bar ou no futebol com os amigos. O príncipe resolveu pedir o divorcio ou nem mesmo casou. Mas somos fadas-madrinhas de nós mesmas, e decidimos empunhar nossas próprias espadas e matar nossos próprios dragões. Pra que guerreiros se somos nós as heroínas?!

E somos mesmo as magas do caldeirão, as senhoras de todos os lagos. Feiticeiras e sacerdotisas. Somos as verdadeiras filhas da Deusa. Fortes e sorridentes, movemos o mundo e preparamos – normalmente sozinhas – a próxima geração de príncipes e princesas.

Só há um pequenino problema. A ervilha sob os cobertores. Enquanto a noite chega e a Estrela Azul brilha na janela de Gepeto, não há senão grilos eletrônicos falantes a fazer companhia. Nada de lobo mau. Nada além do crepitar das brasas dos corações guardados na caixa de veludo do caçador. E vivemos sozinhas para sempre.

sábado, 4 de maio de 2013

As Fúrias



Então me pego outra vez a romper lamentos. Esses pelos quais nos doemos e revidamos olhares alheios. Então me vejo mais uma vez a desejar alentos. Desses que movemos mundos para alcançar o seio. Me pego, mansa, vez em quando, a pensar em ti...

Mais que o eterno contratempo, tivemos nós o brilho do carinho eterno. Esse derradeiro cantar das sereias. Esse redemoinho que suga a sorte. Profanação, divinação. Fomos nós dois mais que miseriórdia, mais que um simples momento. E eu sei que, vezes sem travas, pensas em mim.

Erramos no tempo, na métrica. Fomos culpados de pura veracidade verborrágica. Pois, para mim, era impossível negar-te desejo. Para ti, impossível dizer-me menos que ardor. E seguimos numa fúria extrema. Magia louca, sexo, paixão. Fui tua carne, teu sangue, tua saliva. Foste meu, por um segundo mais que eterno...

Resta-nos o martirizar das Eríneas, que devoram verbos dos que se fazem hereges. Pois que matamos a nós mesmos ao nos separarmos, ao desgrudar os corpos, ao secar suores... Porque o teu desejo é o meu desejo. E a separação é o assassinato do que somos nós dois... União tão perfeita que somos... que poderíamos ser...

Só resta a sentença de morte. Pois eu morro a cada segundo sem a tua carne a consumir a minha. Morro a cada instante que tua boca não me vasculha as entranhas. Tu és a águia, eu o fígado... Sou o sangue que te alimenta. Sou só tua, e mesmo assim, não és tão meu... Lástimas da vida.

Onde errei ao te dar meu coração, jamais saberei dizer-te. Qual crime cometi ao te amar tanto, isso me escapa. Que posso proferir em minha defesa, senão que quero-te ao desespero? Que posso eu fazer para que me queiras assim, sem amarras? Não insisto, bem sabes. Mas pranteio esse amor que não se deu.

Numa noite – e esse é meu troféu – fui tua paixão infinita, meu homem de aço. Numa noite apenas, desci aos infernos em busca de ti e te resgatei. Toda a verdade é que seguirei te esperando. Esperando que abras teus olhos e me vejas assim, nua, a te dar o mundo que é meu. Diz que não queres e secarei, feito flor ao sol... Ou deixarei que as Fúrias me consumam. Diz, e desistirei de mim.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pólvora!



Quero tudo, já disse! Quero pólvora, quero bala de canhão. Quero a carcaça do inimigo arrastada atrás da biga. Quero sangue escorrendo de minhas alvas mãos. Quero lástima, quero morte, quero o avesso da sorte! Quero deter e determinar essa dor, isso que dói. Quero de volta o controle de tudo. É querer muito? Pergunto aos guerreiros antes do embate.

Quero fogo, quero fúria, quero fumo, quero férias... Não sei o que quero. Mentira. Eu sei bem. Sei que quero. Só isso. Desejo, anseio, quero, necessito. Assombro d’alma, esse agito que estremece o corpo. Esse frêmito galopante do arrepio que eriça a pele. Esse desmedir rompante de querer somente. De querer e pronto. Eu Quero! Preciso...

Quero o escalpo do selvagem, quero o coração da feiticeira. Quero porque mereço essa tal aflição irredutível. Essa felicidade perfeita. Quero tambores e gaitas de fole, quero ovações a clamar meu nome. Quero sussurros, quero gemidos. Quero pra mim essa voz ronronada em meu ouvido. É absurdo? Impossível? Será?

Quero teatro do absurdo, teatro mágico, trama caótica. Quero encenação, quero verdade, quero drama. Quero esse trauma, quero impacto. Quero meus lábios naqueles lábios de pedra, quero meus olhos naquele castanho profundo. Quero o fim do mundo, mergulhada naquelas mãos imensas. Quero de volta... quero pra mim... bem assim. Será que não posso sequer querer?