sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Mudei?

Mudei? Não sei se mudei. Sei que vejo cores fartas nesse meu mundo tão preto e branco – bem mais preto, é verdade! Sei só que o colorido varia muito, torna-se interessante. Essa cor que eu posso sentir é suave, é amena, é calmante. Acho que alterei minha percepção com relação às cores. Ainda ando de preto. Gosto, que fazer?!

Mudei? Não sei se mudei. Sei apenas que o coração silencia, não chora, não lamenta. Não sinto mais aquela ansiedade dolorosa da solidão, da espera. Se amo? Talvez eu ame... talvez eu só tenha mudado meu modo de olhar o amor. Também não é resignação. Acho que é só a consciência de que ele também sente a minha falta. E volta!

Mudei? Não sei se mudei. Ainda faço o que amo e amo cada vez mais o que faço. Creio que só aprendi a fazer menos, a fazer mais coisas com meu tempo e não uma única tarefa até a exaustão. Obsessiva? É... é uma boa palavra. Mas tem mais gente importante precisando de mim. Essa pessoa tão pequena que importa mais que as páginas.

Mudei? Não sei se mudei. Não me vejo diferente, mais madura, mais velha. Me vejo a mesma maluca de sempre. A mesma que perde o fio do raciocínio quando um cabeludo passa. A mesma que larga tudo e voa pra São Paulo com livros abarrotando a mala. Ainda sou eu... só estou mais serena. Só estou mais em mim. Será que mudei?

sábado, 25 de janeiro de 2014

Jogos Incompletos

Será tão difícil a arte de ser feliz? Será tão complicado obter do universo favores que supram as carências do coração humano? Seria assim tão incoerente querer – ou requerer – a felicidade como condição primordial para a sobrevivência?

Decerto que é complicado ver-se satisfeito. O difícil, todavia, não é ser feliz. Difícil é encontrar a peça que falta em cada pequeno quebra-cabeça que habita a alma. E essa – a alma – é a parte de nós complicada de agradar.

Muito pretendemos de nós mesmos. Muito mais nos é exigido dia após dia. Família, filhos, trabalho, dinheiro, posses, amigos, amores, prazeres. Tente encontrar a pecinha exata para cada um desses jogos e você alcançará a absoluta felicidade.

Entretanto, deixe que apenas uma das peças falte, e veja o mundo desmoronar-se como castelo de cartas ao vento. Perca uma peça e o cubo nunca será completado, as cores não se encontrarão ao final. Deixe escapar uma para que nenhuma das outras valha a pena.

Difícil é contentar-se em ser próspero sem tem amigos. Complicado é esgotar-se de mimos sem ter a quem ninar. Complexo é possuir muitos bens sem encontrar alguém que nos possua. Triste é tentar ser feliz como os deuses e saber-se meramente humano.