quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Crônica sobre mim mesma!

Passei dos 40 anos. Passei direto, fiz muito. Foram quatro décadas intensas, creiam. Ganhei prêmios de cinema, criei campanhas publicitárias internacionais, escrevi romances que fizeram chorar.

Sim, eu me fiz viver nesses mais de 40 anos. Mais... Não ouse perguntar quantos mais!!! Uma dama nunca revela a idade. Mas, já que não sou nenhuma dama, exponho os fatos pra que quiser saber!

Nasci em épocas de regime militar. A sombra da polícia da repressão pairando sobre mim. Obviamente, eu me tornaria revolucionária. Outra sombra que me pairava era a da alienação. Obviamente, eu me tornaria engajada. Vocês recriminam?

Nunca fui pobre, no sentido literal. Se eu queria aquilo, ganhava dois... Mimada? Nunca! Sei o valor real e subliminar de uma calça jeans. Meus pais nunca tiveram essa conscientização. Nunca conquistaram a liberdade plena de expressão. Pena deles...

Quando me vi gente, a ditadura havia acabado. E loucos de cabelos espetados gritavam “Boys don’t cry”... Eu não sou boy, jamais fui... então, estava liberada pra lamentar. E foi nessa febre de rock e liberdade que me tornei eu mesma.

Não digo que as dores da geração anterior não tenham me afetado. Errei muito enquanto segui os preceitos dos genitores. Mais do que gostaria de lembrar. Mas esse erro era deles, não meu. Fui eu quem sofreu a consequências, mas a desilusão foi só deles. Estou em paz quanto a isso.

Hoje, tantas décadas depois de tudo isso, vejo minha filha livre. Garanto essa liberdade dela com a minha própria consciência em penhor. E sou livre, ela será livre. Livre de quê? De amarras morais e travas sociais inúteis. Ela será feliz.

Eu? Eu sou feliz! Realizei tudo o que sonhei, fiz tudo o que quis, beijei quase todas as bocas que desejei... Quase todas! Hoje em dia, você pode achar que quero apenas paz e sossego. E eu ouso rir disso. Mais do que nunca, quero o que ainda não foi conquistado. Ou você duvida que eu, logo eu, consiga!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Meio que eu

Eu meio que perdi a rédea. Eu meio que perdi a pressa. Eu meio que perdi tempo. Talvez tenha perdido o foco, tenha perdido o ócio, tenha perdido o rumo. Sei que me perdi na reta, perdia rua, perdi a meta. Perdi o centro, perdi o momento, perdi o ponto.

E lá estava eu, perdida por completo no vazio imenso que há dentro de mim. Ao meu redor nenhuma culpa, nenhum propósito, meio que nenhuma vida também.

O nada em silêncio meio que confunde as ideias. Mas eu já não tinha ideias pra confundir. O movimento no vácuo nem é notado. Só que nada se mexe mesmo por lá...

Quase gosto desse ostracismo, dessa letargia serena, dessa não atividade compulsória. Quase me acostumo. Mas a monotonia não faz casa na alma. E essa alma eu meio que não perco nunca. É meio que uma sina.

E assim...


Eu meio que perdi o medo. Eu meio que perdi a vergonha. E meio que perdi o sono. E Talvez tenha ganhado o sonho, tenha encontrado a porta, tenha voltado a mim. Sei que perdi a trava, retomei o passo, resgatei o ímpeto. Sei que não sei perder. Nem gosto tanto assim de silêncios. Ainda estou aqui! Ainda sou meio que eu.